A certificação baseada em Gap Analisys

Em um mundo cada vez mais globalizado e interconectado, os sistemas digitais precisam estar sempre disponíveis

 

Por Felipe Ramires Pereira

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Em sua maioria, empresas possuem Acordo de Níveis de Serviço (SLA) agregado à disponibilidade de seus produtos e sistemas, com períodos off-line cada vez menores para administração de manutenções e eventuais correções.

Com a infraestrutura de data center que suporta os principais sistemas de TI não é diferente. A principal característica dele é sua disponibilidade, ou seja, a capacidade de se manter disponível e operacional pelo período de tempo possível. Aparentemente é uma tarefa simples, mas quando aplicada à toda sua infraestrutura, levando em consideração os processos de projeto, implantação e manutenção, conclui-se que o trabalho é extenso e complexo. E nele, diversos itens de macro e micro impacto devem ser estudados e tratados conforme o nível de disponibilidade desejado.

Né década de 1990, o Uptime Institute – uma associação de especialistas em data centers nos EUA – criou uma classificação e uma metodologia para avaliar os ambientes de data center construídos no país. O objetivo foi padronizar os níveis de infraestrutura, no que tangia à sua disponibilidade. Dessa forma, surgiu a classificação por Tier:

Tier I – Infraestrutura básica: qualquer manutenção ou indisponibilidade afeta o ambiente operacional, causando instabilidade ou parada dos sistemas de TI;
Tier II – Redundância de componentes: manutenções programadas, ou não, nos equipamentos principais podem ser realizadas sem causar instabilidade ou parada dos sistemas de TI;
Tier III – Manutenção concorrente: todo e qualquer componente da infraestrutura de um data center pode sofrer manutenção, sem causar instabilidade ou parada dos sistemas de TI;Gap Analisys
Tier IV – Tolerante à falha: redundância de múltiplos componentes com redundância de encaminhamentos e diferentes compartimentações, onde a infraestrutura pode “reagir” em caso de falha, inclusive humana.

A Telecomunications Industry Association (TIA), baseada na classificação de disponibilidade de data center do Uptime Intitute, lançou em 2005 o primeiro release da norma TIA-942 Telecomunications Infrastructure Standard for Data Centers. Essa norma ajudou a difundir o conceito de Tiers como uma medida padrão de disponibilidade.

O SLA do serviço de TI prestado deve estar atrelado ao SLA de sua infraestrutura, caso contrário, necessidades de manutenções ou problemas operacionais podem ocasionar a ocorrência de multas devido à indisponibilidade de sistemas.

Segundo a Uptime Institute, cada Tier possui seu downtime específico. E este está relacionado à capacidade da infraestrutura de determinado data center de realizar manutenções concorrentes ou ainda reagir a eventuais falhas:

Classificação Downtime máximo Horas por ano
Tier I 99,67% 28h 53min
Tier II 99,75% 21h 54min
Tier III 99,98% 1h 45min
Tier IV 99,9999% 0h 53min

Um data center pode ser certificado em suas diversas etapas de construção, que vão desde o seu projeto, até sua operação. Ações orientadas ao aumento de disponibilidade são necessárias para garantir que o data center possa ser certificado.

Boas práticas de engenharia, rotas de cabos e redes hidráulicas ou frigorígenas, duplicidade de equipamentos, sistemas de monitoração e outros, estão entre os itens avaliados nas certificações, distribuídas em três categorias:
• Design/Projeto: São avaliados os cálculos de máxima utilização de equipamentos, redundâncias de equipamentos e rotas, propriedades de equipamentos e sua funcionalidade, entre outros itens;

• Facilities/Obra: Será avaliada a aderência ao projeto previamente certificado, comparado à obra, identificação de componentes, além de um teste operacional onde manobras de ensaio são realizadas para comprovação da redundância ou reação do sistema, acesso à realização de manutenção, entre outros aspectos;

• Operacional Sustentability/Manutenção: Será avaliado pela equipe local o nível de conhecimento do plano de manutenção do site, o nível de documentação e a efetiva realização de manutenções solicitadas pelo fabricante e PMOC (Plano de manutenção, operação e controle) do data center. Além da simulação de manutenção ou operação em uma falha simulada, entre outros ensaios.

A certificação de um data center pode ser aplicada também a um espaço existente. Neste caso, devem ser avaliadas as capacidades físicas do data center de forma a identificar se a necessidade de disponibilidade pode ser atendida, e se o investimento financeiro vale a pena, frente à construção de um novo ambiente de data center.
Um data center que não foi construído com base nas regras de certificação de disponibilidade pode obter sua certificação a partir de um GAP Analisys, ou seja, um levantamento técnico realizado por um profissional certificado. Essa analise apresentará os pontos que podem ser atendidos com facilidade ou não, frente à certificação almejada.

Evidenciando casos mais comuns, um data center Tier III ou IV possui problemas em atingir o nível de certificação em edifícios não dedicados, onde a área comum é controlada por um condomínio. Essa característica dificulta, por exemplo, a instalação de tanques de diesel para os geradores, ou ainda caixas d’água para determinada tecnologia de climatização com uso de sistemas evaporativos.

É importante deixar claro que a certificação não torna um data center “melhor”. O importante é que ela garanta que os serviços de TI tenham um SLA compatível com o SLA de sua infraestrutura. Somente com essa compatibilidade de níveis de serviço, o SLA de TI pode ser garantido.

 

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